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“Muito se fala da relação entre a arte das cavernas e o graffiti. Sim, ambos tem a parede como suporte. Sim, nós humanos parecemos ainda muito primitivos. Mas é apenas isso. Lá, havia a necessidade de representação e compreensão do mundo exterior; aqui, há a necessidade de afirmação de um mundo interior. Lá, se tentava criar regras. Aqui, há transgressão. Lá não havia escrita e, talvez, o desenho fosse a única forma visual de comunicação. Aqui, a escrita é a origem de tudo.

O grafiteiro em inglês leva o nome de “writer”, escritor. E o tag, como é chamada a assinatura do grafiteiro, é a linguagem a partir da qual todas as estéticas do graffiti se desenvolveram. Sliks é um estudioso dessa caligrafia que a coloca em prática. É frequente se deparar com um de seus tags pelas ruas de São Paulo. É uma ousadia, uma única cor, nenhum esboço. Os movimentos rápidos da mão, do braço, a pressão correta do dedo contra o bico do spray, o ângulo e as distâncias entre a lata e o muro. Tudo determina o resultado. Tão sintético como complexo, o tag carrega uma tradição tão respeitável quanto a tradicional grande arte, pois é a junção perfeita entre o domínio da técnica e a estética. Que críticos de arte do passado imaginariam que um recipiente sob pressão que projeta um jato de tinta mudaria tudo?

Há quase 5 décadas, gerações vem usando e aprimorando o spray para criar novas estéticas. Sliks trilha esse caminho. Sua busca transborda a caligrafia do tag. Ele joga com as linguagens do graffiti em seus limites, cria universos tridimensionais com o multicolorido dos planos, texturas com as sobreposições da escrita, seus escorridos ganham vida, suas pinturas tem gravidade própria.

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“Much is made of the relationship between cave art and graffiti. Yes, both have a wall as a support. Yes, we humans seem still very primitive. But it is just that. There was a need for representation and understanding of the outside world; here, there is a need for affirmation of an inner world. There, he tried to create rules. Here, there transgression. There was no written and perhaps the design were the only visual means of communication. Here, writing is the origin of everything.

The graffiti in English takes its name from “writer”, writer. And the tag as it is called the signature of the graffiti artist, is the language from which all the aesthetic of graffiti developed. Sliks is a scholar this calligraphy that puts into practice. You often come across one of your tags through the streets of São Paulo. It is a daring, a single color, no outline. The rapid movements of the hand, the arm, the correct finger pressure against the nozzle spray angle and distances between the can and the wall. It determines the result. Such as synthetic complex, the tag carries such a respectable tradition and the traditional high art, it is the perfect junction between the mastery of technique and aesthetics. That past art critics imagine that a pressure vessel designing an inkjet change everything?

For nearly 5 decades, generations has been using and improving spray to create new aesthetic. Sliks track this way. Your search overflows the tag of calligraphy. He plays with the graffiti of languages ​​at its boundaries, creates three-dimensional universes with multicolored plans, textures with writing overlays your drained come to life, his paintings have own gravity.